sexta-feira, 4 de setembro de 2015

ANÁLISE: Um estudo de caso com uma criança de três anos e oito meses

Discente: Verônica Nascimento

As pesquisas realizadas por Emília Ferreiro e Ana Teberosky (1999), marcaram a história do processo de alfabetização. Ferreiro realizou investigações científicas que deixaram clara a ideia de que a criança reflete sobre a escrita e reconstrói o código linguístico. Ela não propõe uma nova pedagogia ou um novo método, mas suas pesquisas deixam transparecer que o que leva o aprendiz à construção do código linguístico, não é o conhecimento das letras e das sílabas, mas a compreensão do funcionamento do código. Sua contribuição é essencial para que o educador repense todo o processo de ensino-aprendizagem, pois conhecendo os diversos níveis conceituais linguísticos da criança é possível criar atividades para que ela avance no processo de construção da escrita alfabética.
É necessário que entenda a escrita como uma representação simbólica da linguagem falada, e para que a criança aprenda realmente a ler e escrever ela precisa compreender não apenas o que a escrita representa, mas também de que forma ela representa, graficamente, a linguagem. Levando em consideração o fato de que a criança reflete sobre a escrita e reconstrói o código linguístico, a alfabetização com cartilhas passou a ser questionada, pois apresenta sentenças isoladas sem significado, descontextualizadas, seguidas de uma lista de palavras escolhidas em razão de uma simples montagem silábica.
Segundo Ferreiro e Teberosky (1999), muito antes de iniciar no processo formal de aprendizagem da leitura e escrita, as crianças constroem hipóteses sobre o objeto de conhecimento. Antes de ler a palavra, a criança lê o mundo através de gestos, olhares, expressões facial, do cheiro, do tato, do olfato, ou seja, a partir da construção de sentidos e significados sociais e individuais, através dos quais ela elabora suas hipóteses com base em sua experiência de vida. As ideias que os alunos constroem sobre a escrita (hipóteses de escrita) são erros construtivos, necessários para que se aproximem cada vez mais da escrita convencional.

No livro "Psicogênese da Língua Escrita" Emília Ferreiro e Ana Teberosky descreve os níveis e as principais características das hipóteses sobre a linguagem escrita traçados pelas crianças. São estes:
  • Pré-silábica: A criança não estabelece vínculo entre fala e escrita; demonstra intenção de escrever através de traçado linear; 
  • Silábica: A criança começa a ter consciência de que existe alguma relação entre pronuncia e a escrita; começa a desvincular a escrita das imagens e os números das letras; 
  • Silábico-alfabética: criança muitas vezes escreve silabicamente, outras alfabeticamente. Aqui ocorre uma mistura da lógica da fase anterior com a identificação de algumas sílabas. 
  • Alfabética: Nesta etapa a criança domina o código escrito, distinguindo letras, sílabas, palavras e frases.

Em uma sondagem feita com Saimon Levi de três anos e oito meses de idade, foi solicitado que escrevesse algumas palavras (Bola, Casa, Cachorro e Caio). Após analisar a atividade realizada e de acordo com o estudo do texto “Psicogênese da Língua Escrita: contribuições, equívocos e consequências para a alfabetização”, identificou-se que essa criança encontra-se na fase de Hipótese Pré-silábica, onde a criança supõe que a escrita é outra forma de desenhar ou de representar coisas e usa desenhos, garatujas e rabiscos para escrever.
Esta fase tem como características: escrever e desenhar tem o mesmo significado; não relaciona a escrita com a fala; acredita que coisas grandes têm um nome grande e coisas pequenas têm um nome pequeno.

Com a psicogênese da escrita proposta por Emília Ferreiro compreendemos que a criança não pode ser limitada, pois ela tem conhecimentos linguísticos superiores ao que imaginamos e a grande parte das crianças, desde pequenas, tem contato com a linguagem escrita através de livros, jornais, embalagens, placas, etc. E com esse contato as crianças começam a elaborar hipóteses sobre a leitura e a escrita. Podemos afirmar, através da leitura do livro e da atividade prática realizada, que a sondagem a escrita da criança é de suma importância, pois esta sondagem permite conhecer as hipóteses linguísticas da criança, de maneira que o professor esteja apto a fazer mediações que possibilitem a construção alfabética da escrita de maneira efetiva.



Referência

MENDONÇA, Onaide Schwartz; MENDONÇA, Olympio Correa de. Psicogênese da Língua Escrita: contribuições, equívocos e consequências para a alfabetização. In: UNESP. Caderno de formação: Formação de professores: Bloco 02: Didática dos conteúdos. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2011. v. 2. p. 36-57. (D16 - Conteúdo e Didática de Alfabetização).

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

ENTREVISTA

Discentes: Verônica Nascimento e Naiane Machado

ENTREVISTA COM O PROFESSOR (A) ALFABETIZADOR (A)

Professora alfabetizadora concursada da rede pública no município de Jequié-BA, Adriana Rezende Cruz, 43 anos de idade, é formada em Letras, com especialização em Educação Infantil e já atua em sala de aula há 20 anos, a mesma nos concedeu entrevista para conversar sobre o contexto da escola, trabalho e vida dos professores.

Trechos da entrevista:

CONTEXTO DA ESCOLA

Cantinho da Alfa: Quais as dificuldades e problemas enfrentados e superados pela escola na qual trabalha?

Professora: Salas super lotadas, falta de área de lazer, falta de cuidadores para crianças especiais, etc.

Cantinho da Alfa: A estrutura física da escola oferece um espaço didático pedagógico adequado para a alfabetização?

Professora: Não

Cantinho da Alfa: A escola possui sala para atendimento especializado? Existe um profissional responsável para esse atendimento?

Professora: Não

Cantinho da Alfa: Qual é o perfil dos alunos?

Professora: Crianças de 4 e 5 anos, na sua maioria de classe baixa

Cantinho da Alfa: Na escola existe biblioteca? Como se dá a dinâmica de funcionamento?

Professora: Não

O TRABALHO E A VIDA DOS PROFESSORES

Cantinho da Alfa: Quais os incentivos oferecidos pela escola para a formação continuada dos professores alfabetizadores?

Professora: Nenhum

Cantinho da Alfa: Há relação entre área de formação dos professores alfabetizadores com a área de atuação?

Professora: Se não há, deveria

Cantinho da Alfa: Qual é a relação dos professores com as decisões implementadas na escola no diz respeito às políticas de alfabetização?

Professora: Participantes ativos

Cantinho da Alfa: Quais são as ações de planejamento da escola?

Professora: AC semanal com coordenação

Cantinho da Alfa: Como se organiza a dinâmica do recreio?

Professora: As vezes se dá de maneira livre e as vezes dirigido

Cantinho da Alfa: Qual é a sua carga horária de trabalho?

Professora: 40 horas

Cantinho da Alfa: De que forma você trabalha os conteúdos disciplinares no processo de alfabetização?

Professora: De forma mais concreta e realista possível, valorizando sempre que possível a ludicidade.

Cantinho da Alfa: Quais são os conteúdos selecionados para o trabalho de alfabetização com os alunos?

Professora: Todos que possam auxiliar as crianças neste processo

Cantinho da Alfa: Como você trabalha a questão da diferença de fases de aquisição da lecto-escrita em sala de aula?

Professora: Criando situações desafiadoras para cada fase, no intuito de fazê-las avançar; mesclando os alunos de fases diferentes para que uns aprendam com os outros.

Cantinho da Alfa: Como está estabelecida a rotina (passos) da sua sala de aula?

Professora: Rodinha, leitura, conteúdo, atividade, recreio, revisão e atividade complementar.

Cantinho da Alfa: Quais são as dificuldades que são encontradas em sala de aula no que diz respeito à alfabetização dos alunos?

Professora: A quantidade de alunos, para um acompanhamento significativo.

Cantinho da Alfa: Já participou de cursos de formação continuada com foco em alfabetização? Quais? Qual é a origem dos investimentos feitos para essa formação?

Professora: Já, PROFA. Acredito que federal.

Cantinho da Alfa: Quais são os meios que utiliza para se informar sobre a sua área de atuação na escola?

Professora: Revistas, sites de educação, etc.

Cantinho da Alfa: Qual é o método que você utiliza para alfabetizar?

Professora: O método fônico.

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 SARA DE JESUS E JULIANA OLIVEIRA